Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não
posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que
tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se
transforma lentamente no que eu digo....estou procurando, estou
procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi
e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que
fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.
Perder-se também é caminho.
Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo.
Clarice Lispector.

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